Carta Mensal Aos Clientes – Outubro 2024
“As ideias dos economistas e filósofos políticos, tanto quando estão certas, quanto quando estão erradas, são mais poderosas do que se imagina. Na verdade, o mundo é governado por pouco mais. “ John Maynard Keynes INDICADORES ECONÔMICOS Brasil Indicadores Econômicos Fechamento do Mercado Mundo Indicadores Econômicos Fechamento do Mercado Cenário Local – Novembro 2024 O mês de outubro trouxe desenvolvimentos políticos e econômicos de grande relevância para o Brasil, especialmente no cenário eleitoral e nas dinâmicas de mercado. Com as eleições municipais, o país assistiu à configuração das forças políticas para o futuro, ao mesmo tempo em que a economia sente o impacto da volatilidade cambial e das incertezas fiscais. No campo político, Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, saiu fortalecido ao apoiar Ricardo Nunes na reeleição à prefeitura de São Paulo, em uma disputa que resultou na derrota de Guilherme Boulos. Esse apoio consolidou Tarcísio como uma liderança promissora e potencial candidato presidencial para 2026, embora ele considere a possibilidade de disputar a reeleição como governador, uma alternativa mais segura. Ao mesmo tempo, a eleição municipal consolidou o PL como uma força de direita e reforçou a base bolsonarista, que, com o apoio de Jair Bolsonaro, elegeu 516 prefeitos. Entretanto, o bolsonarismo enfrentou limitações em grandes cidades, como Fortaleza e Belo Horizonte, onde candidatos apoiados por Bolsonaro não conseguiram atrair o eleitorado mais amplo. O PT, por sua vez, teve uma leve recuperação, alcançando 252 prefeituras, mas ainda enfrenta dificuldades nos grandes centros urbanos. A vitória de Lula em 2022 refletiu mais sua força individual do que a do partido, que precisará de uma coalizão mais ampla para se manter competitivo em 2026, caso Lula, prestes a completar 80 anos, não concorra novamente. Fonte: G1. Eleições 2024. No cenário econômico, a alta do dólar permanece como um ponto de preocupação, com a moeda americana atingindo R$5,81 – o maior valor desde maio de 2020 e o mais alto sob o governo Lula. Esse patamar reflete as incertezas econômicas, impactando diretamente importações, custos de produção e, consequentemente, o consumidor. O impacto inflacionário é evidente também no avanço do IGP-M, influenciado pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que subiu 1,94% em Novembro. Essa pressão no atacado pode se refletir nos preços ao consumidor, agravando o cenário inflacionário. Além disso, o IPCA-15 registrou alta de 0,54%, acima do consenso de mercado, com aceleração nos serviços subjacentes e núcleos inflacionários. Esse quadro reforça a postura recente do Banco Central, que sinalizou uma possível aceleração no ritmo do aperto monetário, com expectativa de elevação de 50 pontos-base na próxima reunião. Diante da possibilidade de uma política monetária mais rigorosa, os próximos passos do Copom serão cruciais para conter as pressões inflacionárias, que afetam diretamente o poder de compra da população. Após o término das eleições, o governo federal tem dado destaque à necessidade de estabilização fiscal, anunciando pacotes de corte de gastos que variam entre R$30 bilhões e R$50 bilhões. A estratégia, entretanto, envolve uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), que requer uma tramitação complexa e possivelmente só terá impacto efetivo em 2026, jogando o peso dos ajustes para o próximo governo. Essa abordagem gera dúvidas sobre o compromisso do governo atual com a execução dos ajustes durante o próprio mandato, especialmente em um contexto onde a dívida pública voltou aos patamares alarmantes da pandemia. Soma-se a isso o déficit das estatais brasileiras, que até recentemente operavam em superávit e agora registram déficits, refletindo as condições econômicas adversas e as políticas de expansão de investimentos e despesas nas estatais. Fonte: Poder 360. No âmbito fiscal, há divergências internas sobre o pacote de corte de gastos, com setores do governo resistindo a possíveis reduções. Recentemente, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou que cortes em áreas como abono salarial e seguro-desemprego não estão em discussão, classificando qualquer mudança sem seu aval como uma “agressão”. O governo estuda alternativas, como destinar uma parte das emendas de comissão para a Saúde e aumentar a parcela do Fundeb destinada ao piso da Educação, o que poderia abrir um espaço fiscal de até R$33 bilhões em três anos. No entanto, essas divergências dificultam a implementação de uma política fiscal coesa e eficiente. Fonte: Poder 360. Por fim, no mercado de crédito privado, observamos um movimento de correção após uma fase de compressão dos spreads. Algumas emissões não captaram o volume desejado e outras foram adiadas devido à falta de demanda. Esse ajuste se deve à elevação da taxa CDI, que reduziu a atratividade das emissões. Para contornar esse cenário, algumas gestoras optaram por fechar fundos para novas captações, preservando a rentabilidade e evitando a necessidade de aplicar recursos a taxas desfavoráveis. A correção dos spreads é vista como uma medida essencial para equilibrar o mercado, tornando os investimentos mais atrativos no médio prazo. Dado o contexto, o cenário atual exige uma atenção redobrada às variáveis políticas e econômicas que poderão moldar os próximos passos da economia brasileira. O cenário internacional deste mês é marcado por eventos de grande relevância que moldam as perspectivas econômicas e de investimentos em âmbito global. Entre os principais pontos de atenção, destacam-se as eleições presidenciais nos Estados Unidos, a trajetória do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) americano, o conflito envolvendo Israel e Irã, e a guerra entre Rússia e Ucrânia. Nos Estados Unidos, o recente resultado das eleições presidenciais trouxe Donald Trump de volta à presidência, o que tende a direcionar a política americana para uma abordagem nacionalista e protecionista. Essa vitória sinaliza um possível retorno às políticas de “America First”, com foco na redução de compromissos multilaterais e no reforço de práticas econômicas voltadas para o mercado interno. Essa mudança de direção deve impactar não só a economia americana, mas também o cenário global, afetando mercados e investidores que aguardam uma possível revisão das políticas de alianças e comércio exterior. O posicionamento do governo Trump frente a temas como a inflação e o comércio internacional será monitorado de perto, pois suas decisões podem ter repercussões profundas nas expectativas
Carta Mensal Aos Clientes – Setembro 2024
“A inflação é igual a uma gripe: se você cuidar, ela passa; se não cuidar, pode virar pneumonia.” – Delfim Netto Cenário Nacional O mês trouxe diversas movimentações importantes no cenário econômico brasileiro, com destaque para o fechamento do spread de crédito privado. Esse movimento, que já era aguardado pelo mercado, resultou no encurtamento dos títulos de renda fixa e trouxe impactos relevantes para os fundos de crédito pós-fixado. Os dados da curva de crédito ilustram bem essa mudança. Para os títulos com rating AAA, por exemplo, os vértices mais curtos (até 1 ano) estão apresentando taxas abaixo de 0,40%, enquanto os prazos mais longos (até 15 anos) chegam a 0,6687%. Fonte: AMBIMA Esse achatamento dos spreads para prazos mais longos torna menos atraente para os gestores manterem papéis de maior duração em suas carteiras. Já para os ratings mais arriscados, como AA e A, as taxas aumentam significativamente, refletindo o prêmio de risco exigido por esses ativos. Outro ponto de atenção é o impacto nos fundos que tradicionalmente operavam com títulos high grade, oferecendo um retorno de cerca de 105% do CDI. Com o fechamento dos spreads, os retornos desses fundos tendem a diminuir. O encurtamento da curva de spread implica que os títulos de prazos mais longos passam a ter menor rentabilidade, enquanto os prazos curtos também apresentam limitações. Isso pressiona os gestores a buscarem novas estratégias para preservar a rentabilidade, muitas vezes aumentando a exposição a papéis com maior risco de crédito, como aqueles com rating AA ou A, que, embora ofereçam retornos mais atrativos, também carregam maior volatilidade. Além disso, a curva de juros para títulos de rating AAA se aproxima dos patamares mais baixos para prazos de até 5 anos, com taxas variando entre 0,3123% e 0,6394%. Isso torna o mercado de crédito menos lucrativo, a menos que os gestores revisem suas estratégias de risco, aumentando a exposição a ativos de maior duração ou com maior risco de crédito para tentar compensar o fechamento dos spreads. Em relação ao volume de emissões de títulos de crédito, os números continuam robustos. Até agosto de 2024 com destaque para debêntures e CDBs, refletindo o contínuo apetite por crédito corporativo no país. Outro destaque deste mês foi a redução dos saques nos fundos multimercados, que anteriormente enfrentavam uma pressão maior. Esses fundos têm agora focado em estratégias macroeconômicas e em investimentos internacionais, onde enxergam oportunidades em meio às incertezas globais. Simultaneamente, o mercado de ações no Brasil registrou uma alta significativa, impulsionada pela redução das taxas de juros na China e pelos pacotes de estímulo ao consumo, que beneficiaram empresas como a Vale e contribuíram para a valorização do Ibovespa. Por fim, a recente quebra da Agrogalaxy trouxe grandes desafios aos fundos FIAGROS, que estão enfrentando dificuldades para ajustar suas carteiras. Essa crise evidenciou a fragilidade de alguns setores do agronegócio, impactados por condições de crédito mais restritivas e por problemas de pagamento de produtores. O cenário exige uma gestão cuidadosa dos riscos, especialmente para os fundos expostos a empresas do setor, que agora enfrentam maiores desafios. Para complementar nossa análise, o gráfico a seguir apresenta o desempenho das principais classes de ativos ao longo dos últimos anos. Nele, podemos observar como diferentes ativos, como o Dólar (V/V), Ibovespa, Selic, entre outros, variaram em termos de rentabilidade. Em 2024, o destaque foi para o Dólar com uma valorização de 15,85%, enquanto o Ibovespa também mostrou força em 2023, atingindo 22,09%. Essa análise visual reforça a importância da diversificação em momentos de volatilidade, permitindo que diferentes classes de ativos se destaquem em períodos distintos. Fonte: AMBIMA Seguimos atentos a todos esses movimentos e continuaremos ajustando as alocações conforme necessário para proteger e maximizar o retorno do seu patrimônio. Estamos à disposição para discutir quaisquer dúvidas ou ajustes nas suas estratégias de investimento. Cenário Internacional No cenário internacional, as tensões no Oriente Médio se intensificaram com a guerra entre Israel e o Hezbollah. Esse conflito, que já tem raízes profundas na geopolítica da região, preocupa não só pelas implicações humanitárias, mas também pelos possíveis impactos econômicos globais. A entrada do Irã, um dos principais aliados do Hezbollah, no conflito, traria uma escalada de grande magnitude. O Irã, como um dos maiores produtores de petróleo do mundo, tem um papel crucial no mercado energético global. Qualquer interrupção em sua produção ou exportação pode causar grandes oscilações no preço dos combustíveis. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, seria diretamente afetado caso o Irã optasse por usar sua influência para restringir o tráfego marítimo ou mesmo interromper a passagem de petróleo. O impacto imediato seria um aumento significativo nos preços do petróleo e derivados, pressionando economias dependentes de importações de energia, como é o caso de muitos países europeus e asiáticos. Além disso, a volatilidade nos preços do petróleo poderia reverter as tendências de queda na inflação global, desafiando bancos centrais que já estão lidando com os efeitos de políticas monetárias restritivas. Abaixo segue gráfico do petróleo: Fonte: Bloomberg Outro ponto de destaque no cenário internacional é a eleição presidencial dos Estados Unidos, marcada para a terça-feira, 5 de novembro de 2024. As campanhas de Kamala Harris e Donald Trump dominam o cenário político, com suas respectivas visões muito distintas para o futuro do país. Kamala Harris, atual vice-presidente dos EUA, busca consolidar a continuidade das políticas democratas implementadas durante o governo Biden. Sua campanha foca em temas como saúde acessível, justiça social, direitos civis, e, sobretudo, mudanças climáticas, uma pauta cada vez mais relevante tanto no âmbito doméstico quanto internacional. Por outro lado, Donald Trump, ex-presidente, está em sua terceira tentativa de voltar ao cargo. Ele mantém um discurso focado em economia nacional, segurança e políticas imigratórias rígidas, além de uma postura protecionista com relação ao comércio exterior. A polarização entre as duas campanhas é intensa, com um eleitorado dividido entre visões muito contrastantes sobre o papel dos EUA no mundo e suas políticas internas. As implicações desse processo eleitoral transcendem as fronteiras americanas: o resultado da